quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tão estranho acordar só agora.

   Tão estranho acordar só. Nunca gostei de levar chicotada pra olhar o mundo de outro ângulo: onde entra minha liberdade de expressão no universo alheio? Segundo disse, em seu universo sou neutra. Mentira. Não expliquei, seja pelo cansaço de repetir, pela preguiça de argumentar, mas aqui no meu mundinho, sou esponja. Quem não é, aliás? Absorvo o que me convém (e muitas vezes o mal também) pra, quando faltar espaço, despejar tudo de uma vez e voltar a aprender. Digamos que, nesse momento, estou disposta a sugar muito mais, ainda mais agora que meus pilares desabaram. Tão estranho acordar. Ver que há mais serpente no éden do que é permitido pelas leis dos homens, ver que elas só aparecem pra gente em sua forma natural quando já estão no nosso pescoço, fazendo sufocar nosso espaço. Quem dá o direito de intervenção no nosso próprio planeta? Que fique cada macaco no seu galho, cada um em seu plano dimensional, afinal, sou egoísta em termos de solidão. Gosto do meu escuro. Qual é a graça de sair pintando os sentimentos nas paredes, se podemos simplesmente guardar tudo e preservar? A banalização me enjoa. Enoja. Cansa. Esquisito mesmo é gritar dor aos quatro cantos, gritar amor aos quatro ventos, jogar tudo pro alto e acabar de alma vazia. Tão estranho.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Storm


Ela chorava no canto do quarto, desolada. Brigaram. Disseram todas aquelas coisas horríveis de quem se conhece demais, pesaram a dor de quem já sentiu tudo e anda com o coração anestesiado, respiraram o silêncio de quem tem muita coisa pra falar e pouco motivo pro óbvio. Aumentaram o muro, chacoalharam o assoalho, gritaram pra quem quisesse ouvir: um tinha mais direito que o outro. A mãe era doente, o pai, adolescente. Qual seria meu rumo então? Cavar um buraco no porão, cortar a carne em orações? Fugir do mundo, fugir de mim, fugir com tudo queimando em minha cabeça e de bolsos vazios? Eles ainda acreditam que uma assinatura muda o mundo, eles ainda torcem pro trem das onze passar, pra aparecer no meio do caminho uma Boate Azul jorrando a juventude que perderam. Em meia-vida ainda não conseguiram se encontrar, quem dirá eu. Em plena guerra levo meu caderninho, minha música, minha vontade de independência. Quando nossas duas partes se quebram (entre elas, por elas, na gente, pela gente, pra gente), o jeito é se virar em Anne Frank com bíblia digital e iPod, caminhando cinza pelas ruas, escondendo na gente aquela assinatura que pode mudar o mundo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Vem pro teu cantinho

Nessa madrugada eu queria um colo, queria que você me ligasse e devolvesse o meu brilho. Quê há de ser se não nós dois? Desde então vivo com a garganta embaralhada, carrego um peso comigo que eu simplesmente não consigo deixar pra trás. Cada pedaço de mim te grita, te implora. Pretérito perfeito ou futuro do pretérito (futuro pelo pretérito, fica a critério do leitor), a tinta da caneta acabou. Precisa mesmo mudar de parágrafo? A gente pode se reinventar em um começo de oração, uma letra maiúscula de um início de conto de fadas qualquer. Venho com minhas orelhas abaixadas, pedindo pra ti definir o que é prioridade. Se eu puder ir embora, liberta. Desata. Mas só se tu achar que o nosso não vale mais a pena. De todo o amor que eu tenho, metade foi tu que me deu... Fale com a alma que tudo dará certo.

Fragmento 1

"[...] Abraçando ela do jeito que você me abraçava. Sou tão substituível assim? Eu sempre repito pra mim mesma que, se eu ver vocês dois juntos de novo, vou desistir de ti e te deixar  em paz, mas quem disse que eu consigo? Você me mata, me corrói, acaba com o meu dia e sabe disso. Você me trata como trata a ______. Não é justo. Tô exausta. Cada dia que passa, minha vontade de continuar diminui. [...] Você sabe que não é cheio, nem nada. Falei coisas terríveis na hora da raiva, nada era verdade. Já pedi desculpas, inúmeras, nada adiantou. Eu, que me julgava forte, to caindo de joelhos por um menino. Se eu não tiver mais meios de te fazer voltar, por favor olhe nos meus olhos e peça pra eu desistir. Preciso de você."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

I'm not even out of bed, but I'm falling apart.



  1. E agora eu estou aqui, chorando convulsivamente e esperando você voltar. Completamente inútil, desnecessário, puta merda, como dói. A culpa foi minha. O erro foi meu. I WILL NEVER BE GOOD ENOUGH FOR YOU. Todas as cicatrizes, todos os cortes, tudo pulsa, tudo sangra, eu sinto tanto a sua falta. As vezes dá uma vontade de nascer de novo, de trazer você de volta. Sim, eu sou um poço de problemas. Um poço que até depois de seco, arranja água pra jorrar. É tão ruim perder um irmão. Fica um vazio na gente, um espaço em sobrevida esperando energia, qualquer coisa que mantenha o batimento. A gente fica meio manco sem um apoio, pra falar a verdade. Eu só queria um abraço teu. 
  2. Tentei terminar o post, ainda tem muita coisa entalada na garganta, muita coisa que não dá pra pôr em palavras. Eu sei que você não vai ler isso, tenho certeza, mas não custa tentar. Não é drama, primeiramente. Drama não me inspira. Acho incrível que você já tenha me substituído, quero aprender a fazer isso também. Queria saber descartar, selecionar. Sabe, é tão difícil pensar que eu não posso mais contar as coisas pra você, que eu não vou mais poder te cuidar, te proteger, o mundo é tão cruel e eu te amo tanto pra te deixar ir embora desse jeito. Tem tanta coisa pela frente, eu vou precisar de você violentamente durante todo o caminho. Só pedir desculpa não funciona, eu juro que vou mudar, juro. Juro, juro, juro. Eu vou tentar ser a amiga que você merece ter, desculpa. Um milhão de vezes, dois, três. Que seja assim, que seja o que você quiser, que seja doce (7 vezes). 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Tentando algo novo.


Como não acreditar quando as palavras te absorvem? O papel parece limpo, tem muita coisa pra escrever, um punhado de palavras não parecem resolver. Aqui dentro dói, escorre, se torcer a minha alma vai descer todo o meu sangue. Será que você enxerga todas as marcas? Aqui dentro elas ainda não cicatrizaram, o exterior tenta parecer mais forte do que realmente é. E pra tapar esse buraco, como é que eu vou fazer? Um remendo de mentiras não vai fazer eu te esquecer... Não hoje, não agora que eu tô vulnerável, instável, catando os meus pedaços pra você poder juntar. Tenho medo de acordar, piscar e te perder de novo, juro que cansei de só te ter em sonho. Vem que ainda é cedo, apaga toda essa agonia, todo esse medo, pega os cacos e une um por um, 6 bilhões de sorrisos e eu só quero um, pra sempre tua, até a lua eu vou pra te fazer feliz, qual é o problema de ser pra sempre de quem eu sempre quis?

sábado, 16 de julho de 2011

Look at this photograph.


  1. Pra falar a verdade, sem poesia nem nada, tô com medo. O objetivo inicial do post era passar a sensação de perda, de nostalgia com a morte. Morte de quê? Juro, de tudo. É quase cruel o jeito com que o destino arranca as pessoas da gente. Uma espécie de saudade dolorida, percorre o labirinto até chegar no ponto mais fraco, só pára quando o coração aperta. É aí que transborda pelos olhos. Sabe quando bate aquela sensação de despedida? De vontade de ficar com a pessoa por tanto tempo quanto for possível, só pra não perder qualquer momento? Eu tenho isso. Sensação de perda constante.  Não sei se é de tanto apanhar da vida (eu, dependente, inexperiente, no auge dos dezesseis anos, tentando passar alguma lição de moral) mas acabei desenvolvendo um mecanismo de desapego. Gosto de mais, enjoo, empurro o prato, não quero mais (como diria Caio Fernando de Abreu). E quando vale a pena sofrer, como é que fica? Não fica, simples. É aí que entra o medo, a inexperiência, o excesso de amor próprio. Como se entregar sabendo que tudo não passa de uma grande batalha perdida? Que as pessoas vêm e vão, e mais, não precisam de você de verdade? Dá vontade de queimar as fotos, começar de novo. Recomeçar. Re-recomeçar. Fazer errado quantas vezes for necessário, fazer o errado valer a pena o suficiente pra, anos depois, comprimir o coração com vontade de voltar e estragar tudo mais uma vez. A morte, pra mim, é não ter dado tempo suficiente pra acertar, deixar o adeus chegar antes que o trem pare na plataforma. É o não fiz, mas queria. E muito. 

Harry Potter - Golden Snitch